Escrito por Maria Carolina Duarte Ferreira
Com a proximidade do mês das crianças achei conveniente tratarmos de um tema que gera muitas dúvidas por parte dos pais: o hábito da sucção, ou seja, o hábito de chupar a chupeta ou o dedo.
O hábito de chupar chupeta ou o dedo é realmente prejudicial à criança? Por que a criança sente necessidade de sucção?
Para entendermos a necessidade da criança que adota o hábito da sucção precisamos tocar num ponto importantíssimo, o aleitamento materno. Inúmeras são as vantagens do aleitamento materno: nutrição, aconchego, afeto, proteção imunológica, respiração e desenvolvimento. Porém, poucos sabem que a duração insuficiente do aleitamento materno, indispensável nos seis primeiros meses de vida, está associado aos hábitos de sucção persistentes como chupar o dedo ou chupeta.
O impulso da sucção é considerado normal e está presente desde a vida intra-uterina. Porém, além da nutrição, a sucção é um estímulo importante para ocorrer o correto desenvolvimento das estruturas da face da criança como a mandíbula e regularização de funções como a respiração. Usando a mamadeira, o exercício da sucção é quase inexistente, principalmente quando o leite flui por um bico generoso que rapidamente sacia a fome da criança. Portanto, grande parte das crianças que não fazem a sucção devida na amamentação, sentem a necessidade fisiológica de complementação com sucção do dedo ou chupeta.
Como remover esse hábito?
Até os dois anos de idade, não devemos nos preocupar, pois a criança encontra-se na fase oral, e a sucção é fundamental. O importante é não deixar o hábito se tornar um vício. Desde o nascimento não acostume a criança a ficar com a chupeta o tempo todo na boca, quando adormecer, remova a chupeta. Nunca deixe a chupeta pendurada na roupa da criança evitando que fique sempre à sua disposição. Dê preferência às chupetas ortodônticas.
A partir dos dois anos é chegada a hora de diminuir o tempo da chupeta. Esses hábitos devem ser removidos de forma gradativa, para que não altere o equilíbrio emocional da criança. A dica é negociar com a criança. “Primeiro limitar horários, chupeta é só para dormir”. Tem que haver limite porque amor e limite é que vão garantir um desenvolvimento saudável.
Com relação à sucção do dedo, devemos evitar a instalação deste hábito ao máximo, pois a remoção é mais difícil. Muitas vezes é necessário além do odontopediatra, o auxilio do psicólogo, pois um componente emocional maior pode estar envolvido. O profissional orientará os pais qual a melhor conduta motivando a criança com modelos, fotos e histórias. É melhor motivar do que punir.
Após os três anos de idade começamos a nos preocupar com as alterações no posicionamento dos dentes, desvios no crescimento dos ossos maxilares, e conseqüente alteração de funções como mastigação, fala e deglutição. Quanto maior o tempo que a criança fica com o dedo ou a chupeta na boca mais graves tendem a ser essas alterações.
Sempre é necessário o uso de aparelhos ortodônticos para a correção?
Não, quando o hábito for removido por volta dos três anos de idade, alterações podem se auto corrigir. Caso contrário, quanto mais cedo procurar um profissional menores as complicações.
Quais são essas alterações e por que devemos nos preocupar com elas?
As alterações bucais que podemos observar com mais freqüência são mordida aberta, mordida cruzada, inclinação dos dentes, céu da boca profundo e mandíbula pouco desenvolvida (queixo pequeno e para trás). Se alguma destas alterações forem observadas em seu filho após os três anos de idade procure um dentista especialista em ortodontia e ortopedia facial para poder orientá-los na escolha do melhor método de correção.
Evitar a persistência destes hábitos significa manter os estímulos normais para um correto desenvolvimento da face e dos dentes. Hoje, a Ortodontia moderna é preventiva.
Flavia