Escrito por Dra Aline Inês dos Santos Mendes

Não há nada tão gracioso quanto observar uma criança aprendendo a andar. Seu esforço para manter-se em pé, sua hesitação, seus desajeitados passos, alguns tombos...
A criança desde o nascimento passa por etapas do desenvolvimento em que cada uma serve de base para a próxima. Primeiro sustenta a cabeça, depois rola o corpo para os lados, arrasta-se de barriga para baixo, senta com apoio, depois sem apoio, engatinha (alguns não passam por essa etapa), ficam em pé para, então, começarem os primeiros passinhos. É esperado que um bebê normal comece a andar sozinho até um ano e meio de idade.
A movimentação intensa da criança nesta fase, o hábito de levar tudo à boca (que caracterizam a exploração do meio ambiente), o desejo de autonomia (com tentativas de fazer as coisas sozinho), a coordenação motora precária, a incapacidade para controlar os impulsos, perceber os perigos e as consequências de seus atos, justificam o fato de, nessa fase do desenvolvimento, ocorrer maior incidência de acidentes. É um período, portanto, em que a criança necessita de supervisão contínua.
O uso de andadores onde as crianças ficam “sentadas” deve ser desencorajado. O andador força a criança a pular várias etapas essenciais para o desenvolvimento, prejudicando-o. A aquisição do equilíbrio é limitada e pode ainda deformar a estrutura óssea da perna. Ele não deixa a criança explorar adequadamente o espaço em que está. Um simples objeto no chão e que desperte a atenção do bebê pode ser algo inalcançável para o pequenino, pois o andador não oferece condições para que ele pegue e conheça a peça. Enquanto manuseia objetos e brinquedos, o bebê está desenvolvendo seu cérebro.
Os acidentes que podem provocar graves lesões nas crianças são outro problema relacionado ao uso do andador.
Andadores “modernos” são aqueles nos quais a criança utiliza-o apenas para se apoiar, como se estivesse empurrando um carrinho de supermercado. Estes podem ser utilizados.
Sua casa deve ser pensada em função da presença e dos movimentos do seu bebê. Alguns cuidados podem ser tomados por pais e cuidadores a fim de tornar o ambiente doméstico mais seguro. Confira as dicas:
• Os móveis não devem ter bordas cortantes. Evite móveis de vidro.
• Mantenha objetos pequenos, produtos de limpeza e medicamentos longe da visão e do alcance das crianças. Um bebê que já engatinha ou anda consegue pegar e levar à boca qualquer objeto achado pelo chão.
• Cuidado com panelas sobre o fogão, fornos ligados, fósforos, alimentos quentes, forros de mesas com pontas que beiram o chão (o bebê pode puxar essas pontas e todo o conteúdo da mesa virar em cima dele).
• Fios elétricos não devem ser extensos (risco de estrangulamento) e devem estar fora do alcance das crianças.
• Atenção aos aparelhos elétricos e às tomadas, que devem estar cobertas.
• Objetos cortantes como facas, espátulas e armas devem ficar inacessíveis aos pequeninos.
• Cuidado com escadas e falhas no piso. Bloqueie os degraus.
• Piscinas, buracos e poços devem estar sempre cobertos.
• As janelas devem ter grades ou redes de proteção desde o primeiro andar.
• Atenção às plantas. Atualmente há um modismo de trazer para dentro de casa plantas novas e “diferentes” cujos efeitos não são conhecidos.
• Cuidado com os famosos produtos de limpeza acondicionados em embalagens de refrigerantes. Estes produtos devem estar em seus frascos originais e com os rótulos! Eles podem ser necessários em caso de ingestão acidental.
É fundamental que papais e mamães se informem e se adaptem a cada etapa de seu bebê. Se surgirem dificuldades, busquem a orientação de um profissional especializado.
Com esses cuidados é só relaxar e curtir as emoções dessa linda fase!
A Doutora Aline Mendes, atende na Clínica Conceito