Escrito por Arthur Lopez
Inverno em Ribeirão com Gosto de Chocolate
Boa música, boa comida, muito chocolate e, agora, também conforto e ainda mais segurança. É o Festival do Chocolate que começa em Ribeirão Pires, mantendo a tradição de trazer inovações a cada edição. Difícil é escolher a principal novidade deste quinto Festival. O cardápio é variado: realização nas dependências do clube, cobrança de ingresso, camarotes, patrocínio da gigante Nestlé, entre outras modificações menores. Se as edições anteriores consolidaram o Festival como o principal evento gastronômico e cultural da região, este ano marca a parceria com diversos setores da sociedade e a garantia de que é uma agenda que veio para ficar.
Depois de conquistar um espaço definitivo no calendário do município e, em seguida, do Estado de São Paulo, o Festival do Chocolate em sua quinta edição adquire um espaço físico e nobre: dentro do Ribeirão Pires Futebol Clube. Já era hora de o maior evento gastronômico e cultural do Grande ABC ter um espaço físico definitivo para acontecer e a escolha não poderia ser melhor. Além de passar a oferecer mais segurança, mais conforto e causar menos transtornos durante sua realização, o evento, que passa a cobrar entrada dos frequentadores, marca a consolidação de uma parceria do poder público com a iniciativa privada.
A principal vantagem dessa nova fase do Festival do Chocolate, que acontece de 17 de julho a 9 de agosto, é a garantia de sua realização nos próximos anos, porque a organização e produção estão por conta de diferentes segmentos da sociedade de Ribeirão. O Festival chega ao campo e demais dependências do Ribeirão com as novidades de camarotes e a possibilidade de compra antecipada de entradas. Ao lado do que há de novo, a organização mantém os princípios de garantiram o sucesso das quatro edições anteriores, como a proibição de venda de bebidas alcoólicas.
Os ingressos aos valores de R$ 10 para entrada inteira e R$ 5 a meia representam a medida mais importante e polêmica do Festival de 2009. Os camarotes, que darão acesso a todos os dias do Festival custam R$ 3.600. No entanto, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Menato, defende a iniciativa como forma de garantir a autossustentatibilidade do evento, ou seja uma participação financeira cada vez menor por parte do poder público e a consequente garantia de que um acontecimento lucrativo terá lugar permanente no calendário da cidade.
O caráter popular da programação cultural do Festival está garantida, com o fim de semana de abertura levando aos palcos Jota Quest, Paralamas do Sucesso e Bruno e Marrone. Na segunda semana será a vez de Fábio Jr., Guilherme e Santiago e César &Paulinho. Zé Henrique e Gabriel, Gian e Giovani, Falamansa e Fernando e Sorocaba integram as apresentações da terceira semana, enquanto Marcos Belutti, Lincon e Luan, Capital Inicial e César Menotti e Fabiano encerram a edição de 2009.
Parceria de peso
Todo o chocolate oferecido durante esta quinta edição do Festival será fornecido pela Nestlé. Esta novidade, segundo os organizadores do evento, é a garantia de um reforço na qualidade dos produtos. Além do fornecimento de matéria-prima, a Nestlé ministrou treinamento especial às chocolateiras e demais estabelecimentos comerciais participantes da festa em sua cozinha profissional experimental, em São Paulo.
Segurança
O principal ponto que garantiu o índice de violência zero atingido na quarta edição do Festival será mantido neste ano. Trata-se da determinação de não vender bebidas alcoólicas na área em que o evento é realizado. Esta medida, que já provou ser fundamental para o sucesso da festa, poderá ainda ser reforçada com a adesão maior dos comerciantes da cidade, pelo menos no horário dos shows.
Um importante reforço na segurança no Festival é o fato de ser realizado dentro das dependências do Ribeirão Pires Futebol Clube. O controle na entrada, a venda de ingressos antecipados e as condições que o clube apresenta possibilitam que a equipe de segurança atue de forma mais efetiva na prevenção de problemas.
Uma idéia consolidada
O desafio para os organizadores do Festival do Chocolate de Ribeirão Pires é, para os próximos anos, com o crescimento da integração do evento com mais setores da cidade. As principais barreiras já foram vencidas: qualidade artística e de produtos comercializados, segurança, local definitivo e, agora, parcerias que garantam a continuidade do evento, com mais independência do poder público.
No começo, era só uma idéia, que, como todas as inovações, sofreu muitas resistências de credibilidade. Poucos acreditaram que uma festa de inverno pudesse se tornar referência para a visitação da cidade, uma estância turística reconhecida por lei pelo governo estadual. Houve dificuldade até para preencher os 30 chalés programados para o evento. Hoje estão disponíveis 63 chalés e estar a cargo de um deles é uma verdadeira disputa. Os números apresentados nas páginas seguintes demonstram a rapidez do crescimento e o potencial econômico do evento.
A cobertura dos custos para a realização do Festival ainda é em grande parte coberta pelo poder público. O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turístico, Marcelo Menato, prevê que essa participação da Prefeitura para viabilizar a realização do Festival vai sempre existir, mas garante que a tendência é que fique cada vez menor, devido a uma intensificação da parceria com a iniciativa privada. Primeiro, porque o evento é garantia segura de exposição na mídia pelo que representa no calendário turístico do Estado e pela qualidade dos artistas de primeira linha que se apresentam na festa. E também porque o Festival representa uma movimentação financeira de quase R$ 5 milhões em pouco mais de 12 dias de evento! Um bom negócio.
O Festival do Chocolate se transformou em pouco tempo na marca de Ribeirão Pires. Com ele, a cidade passou a ser reconhecida pelo chocolate que passou a produzir e fornecer o ano todo, pelos shows de nível altíssimo e pelo ambiente familiar, principalmente.
O futuro do evento aponta para uma maior integração com outras áreas da cidade, para atividades paralelas culturais, esportivas e ambientais, e para o fomento de novos empreendimentos nos campos da produção e do comércio, com base, é claro, no chocolate. O que está certo é que esta quinta edição e suas modificações significativas, para um evento que já é muito maior do que a idéia inicial, demonstram que ele tem fôlego para crescer ainda mais.
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O Festival do Chocolate é um evento gastronômico, cultural e de desenvolvimento econômico que começou em 2005. A primeira edição da festa contou com 30 chalés, incluindo alimentação e artesanato e as principais atrações foram Demônios da Garoa e Robson Miguel. Nesse ano, mais de 130 mil pessoas passaram por Ribeirão Pires, movimentaram cerca de R$ 1 milhão e consumiram aproximadamente três toneladas de chocolate.
O sucesso do primeiro ano foi superado em 2006. O público chegou a 325 mil pessoas e a movimentação financeira a R$ 2,6 milhões nos já 40 chalés de alimentação e mais outros 17 de artesanato. Foram mais de 25 atrações musicais para animar o público, com destaque para os shows de Guilherme Arantes, Marlon e Maicon e Banda Ira.
O público de meio milhão de pessoas na terceira edição do Festival do Chocolate, em 2007, colocou o evento na lista das maiores festas do Estado de São Paulo e o consolidou no calendário turístico estadual, além de virar marca da cidade de Ribeirão Pires. Para receber o grande público, a estrutura da festa foi ampliada e foram consumidas mais de oito toneladas de chocolate. No total, a terceira edição do evento teve 40 shows musicais, gerou mais de 300 vagas de empregos temporários e somou 57 chalés para venda de alimentos e artesanato. Entre os destaques musicais estavam Chitãozinho e Xororó, a banda Biquíni Cavadão, Rick e Renner, Paulo Ricardo, Maurício Manieri, Falamansa, Titãs e Fábio Júnior.
A quarta edição do maior evento gastronômico e cultural do ABC consolidou o Festival do Chocolate como um importante acontecimento do calendário turístico do Estado de São Paulo. No inverno de 2008, foram 12 dias com apresentações musicais de primeira linha, tendo na abertura a dupla Bruno e Marrone e o fechamento feito por Chitãozinho e Xororó, passando por Zé Ramalho, Pato Fú e Exaltasamba, Roupa Nova, entre outros. A festa se consolida tanto no cardápio eclético dos gêneros musicais apresentados como na criatividade para a comercialização do chocolate: frio, quente, com frutas, bolos, trufas, fundues e, o mais importante, sem venda de bebidas alcoólicas.
Traduzir o Festival do Chocolate do na passado em números pode dar a dimensão do evento: cerca de 500 mil pessoas circularam pelos palcos e chalés (45 de alimentação e 18 de artesanato) que comercializaram mais de 14 toneladas de chocolate, foram 50 shows musicais e mais 36 outras apresentações artísticas, gerou aproximadamente 400 empregos, entre outros dados que só engrandecem a festa. Mas nada se compara à ausência de ocorrências graves de violência, muito em consequência da ação dos 120 seguranças particulares, com apoio de efetivos da Guarda Municipal e da Polícia Militar, porém em grande parte pela proibição da venda de bebidas. Tudo isso comprovado por mais de 270 jornalistas credenciados de veículos impressos, rádio televisão e Internet.
Além da programação artística de qualidade, dos números expressivos e do ambiente tranquilo, a edição de 2008 do Festival do Chocolate trouxe a novidade na decoração com forte apelo ecológico. Tanto na área do Complexo Ayrton Senna, como na Vila do Doce e diversos outros pontos da cidade, a decoração alusiva à festa foi feita com a utilização de garrafas plásticas. No total, foram mais de 40 mil unidades pets transformadas em enfeites nos formatos de bombons, pirulitos, balas e margaridas.
O principal objetivo da iniciativa, que era decorar gerando consciência ecológica, foi alcançado já na arrecadação das garrafas pets, feita através de gincanas nas escolas. Uma equipe com mais de 50 pessoas trabalhou na confecção dos enfeites e as sobras de material foram doadas a projetos sociais, como o Cooperpires (Cooperativa de Catadores de Lixo de Ribeirão Pires). Uma prova do sucesso desse projeto é que nenhum desses enfeites foi danificado em aproximadamente um mês que ficaram expostos por toda a cidade.
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O Festival do Chocolate da Estância Turística de Ribeirão Pires ultrapassa os limites de um grande evento gastronômico de inverno. A festa abre portas para novos empreendimentos e, em um conjunto de ações dos setores público e privado, gera novos empregos, fortalece a vocação turística do município, e não somente no período da festa, mas o ano todo.
Duas dessas iniciativas já estão em funcionamento e provam que a estratégia de desenvolvimento da cidade está no caminho certo. São elas a Vila do Doce e as “Chocolateiras”. Nascidos em decorrência do Festival, esses dois empreendimentos incentivados, no início, pelo Poder Público estão tão consolidados como a festa do chocolate.
A Associação dos Produtores de Chocolate e Doces Artesanais de Ribeirão Pires foi formalizada em março do ano passado. A idéia de trabalhar no ramo surgiu a partir do 1º Festival do Chocolate, em 2005. As produtoras de chocolate, conhecidas como “Chocolateiras”, acreditaram no potencial turístico para comercializar seus produtos. Com a oficialização do grupo, garantiram apoio e estrutura para o desenvolvimento do trabalho, realizado durante todo o ano. “Trabalhar com a Associação dos Produtores de Chocolate em Ribeirão Pires é bastante gratificante, mas mais do que isso é muito lucrativo”, afirma Déborah Perrone, dirigente da Associação.
Antes de levarem seus produtos ao consumidor, as chocolateiras participam de cursos qualificação profissional, que este ano foram ministrados pela Nestlé, que passou a ser uma das patrocinadoras do Festival. Nas capacitações, aprendem a se preparar para o mercado, práticas comerciais, de higiene, manipulação de alimentos, entre outras. “Com trabalho ligado à Prefeitura e à Aciarp (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Ribeirão Pires), temos acesso à feiras e eventos de gastronomia que geram novas oportunidades para nossa Associação”, explica Déborah.
Quem procura as delícias do Festival do Chocolate durante todo o ano, poderá encontrar na Vila do Doce as especiarias que fazem do evento uma das maiores festas do Estado de São Paulo. Inaugurada em janeiro de 2008, a Vila do Doce passou a ser mais uma opção de lazer para a população de Ribeirão Pires. No total, são 15 quiosques oferecendo alimentação e artesanato, que despontam como os mais novos e eficientes atrativos para turistas e movimentam a economia da cidade.
Mais do que opção de lazer, a Vila do Doce incentiva o desenvolvimento de Ribeirão Pires, pois desde sua criação gerou mais de 300 empregos. Para os comerciantes, a Vila pode ser considerada um ótimo investimento. Calixto Ratif, da Associação de Lojistas da Vila do Doce, garante que o empreendimento é o reflexo do Festival na cidade, mas também um atrativo a mais para o evento anual. “Quem vem ao Festival volta depois para a Vila e quem vem à Vila volta para conhecer o Festival. Um é a continuação do outro”, afirma Calixto.
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