Escrito por Evandro Soares

Encaramos o evento da Quatro Rodas no barro e no asfalto
Como o próprio nome diz Xperience, fomos conhecer e experimentar um pouco mais do gostinho de ser piloto no Autódromo José Carlos Pace, Interlagos. O evento QRX (Quatro Rodas Xperience) é promovido pela principal revista de automóveis no país e tem a finalidade de proporcionar às pessoas comuns muita adrenalina e velocidade em um mesmo evento, com segurança e responsabilidade, como deve ser.
Em busca justamente dessa sensação única, a Revista VIRP prestigiou esse evento como convidada. Nosso diretor Evandro Soares esteve lá e nos conta como foi a sua Xperience:
Assim que chegamos, fomos contagiados pela velocidade, afinal de contas estávamos no Padoque, área VIP nas corridas de F1 e recepcionados pelo maravilhoso ronco de uma Ferrari F430 a 250 km por hora no final da reta, reduzindo muito para encarar o famoso “S” do Senna.
Enquanto não chegava a hora marcada para encarar (quem diria) o Autódromo de Interlagos, fomos, eu e o fotógrafo, conhecer tudo o que o evento proporciona a seus convidados e ao público em geral.
A primeira experiência nos aguardava no espaço off-road, onde experimentamos um pouco mais da valentia dos carros fora de estrada em um circuito preparado para grandes desafios e resistência. Neste caso, fomos de passageiros em uma picape Frontier da Nissan. Enfrentamos todos os desafios com muita tranquilidade e conforto. Apesar de ser um percurso técnico, foi muito interessante para conhecer todos os recursos disponíveis de tração e como o carro se comporta em diferentes situações: lama, pedras, subidas íngrimes, inclinação lateral e a famosa gangorra, um desafio interessante e técnico para encontrar o ponto de equilíbrio do carro e superar o desafio sem dar um tranco muito forte na saída. Mas essa sensação foi apenas para começar a preparação para o grande momento.
Procurando um pouco mais de emoção, fui dar umas voltas em um circuito de rally, cheio de curvas fechadas, trechos curtos de retas e até uma elevação na pista que proporcionava um pequeno salto que tirava do chão a Mitsubishi L200 pilotada por Jean Azevedo. Tenho de confessar que foi uma satisfação única sentar ao lado do Jean e experimentar um pouco do que é uma pilotagem de rally, mesmo sendo uma apresentação muito aquém do que é a realidade dessamodalidade. Apesar da velocidade nesta pista não ser muito alta, a adrenalina já começa na hora de prender o cinto de segurança de seis pontos. Com a tranquilidade de quem estava em mais um dia de treino suave, saímos em derrapada para as tre voltas no circuito, com muita técnica de pilotagem e precisão nas trocas das marchas. O que posso dizer é que logo após a primeira volta já estava me sentindo muito seguro e curtindo o clima de ser um quase navegador de rally.
Agora sim, totalmente envolvido pela adrenalina da velocidade, fui para a sala onde passaria por um cursinho de segurança e pilotagem, antes de entrar para pilotar os carros on road na pista de Interlagos, no meu caso um Volkswagen Tiguan. Terminei o rápido curso com a clareza de que esta pilotagem é para conhecer um pouco mais do carro e desbravar o circuito de Interlagos com segurança e muita responsabilidade. Afinal, não era uma corrida e sim três voltas técnicas com velocidade limitada a 120km por hora.
9h45 – Piloto em Interlagos por uns 10 minutos ao longo de três voltas completas no autódromo. Dirigi-me à entrada do test drive para colocar a bala clava e o capacete, tenho de dizer que estava muito eufórico e ansioso para o meu primeiro contato com Interlagos e ao mesmo tempo por gostar muito de velocidade meio frustrado pelo limite de 120 km/h.
Saímos, eu e o Alex a pé em direção aos carros para iniciar a pilotagem. Ajusta o banco aqui, regula o retrovisor ali, liga o carro e saí para formar a fila de largada (dos boxes). A fila foi formada e composta por aproximadamente 12 carros das principais marcas: Nissan, Renault, Volkswagen, Fiat, Kia, entre outras. Neste momento, estava recebendo instruções do Alex, afinal estava pilotando um carro com 200 cavalos de potência, luxuoso, com muita tecnologia e segurança. O que eu não esperava é que iria pilotar um carro automático, fiquei muito inseguro, afinal de contas logo imaginei: como vou reduzir as marchas nas curvas e sair acelerando ate 6.000 giros em cada troca de marcha e a adrenalina?
Logo voltei para a realidade do evento e me concentrei em obedecer aos comandos de pilotagem do Alex, estando bem ciente do tipo de pilotagem adequada ao carro e o trajeto a ser seguido na pista pelo pequeno detalhe: estava chovendo.
Vai acelera se posiciona atrás do Passat, OK? Vamos lá... Daí por diante não escutava mais nada a não ser os comandos do Alex, e só me concentrava em sentir o carro, conhecer sua aceleração e o seu comportamento nas entradas e saídas das curvas. Assim que sai da pista de acesso do Box, veio o comando: vai, pode acelerar e sente o carro, só se mantém no meio para não entrar na parte emborrachada da pista e em momento algum encoste na faixa branca ou na zebra.
Continuei recebendo os comandos e logo chega a curva do lago. Tenho de confessar que não sabia muito o que fazer naquela situação, afinal estava com um carro automático e não tinha como reduzir as marchas. Muito prudente, reduzi um pouco antes e entrei na curva bem devagar (60km) e assim foi durante toda a 1a volta, a não ser na subida que dá acesso à reta dos boxes, onde o Alex falou: acelera forte para você sentir o carro e mantém na reta 110 km/h. Outro momento esperado, a freada no final da reta para encarar o “S”do Senna.
No famoso “S” foi quando percebi que o carro estava reduzindo as marchas. Detalhe, a transmissão automática estava no modo esportivo. Agora mais familiarizado com a pista e com o carro, mantive a pilotagem prudente, mas com um pouco mais de confiança e velocidade. Na última volta já estava desbravando o circuito com precisão e maior controle do carro, porém me sentindo um piloto amador, é lógico.
Foi uma experiência muito positiva, ainda mais tendo de experimentar uma pilotagem em um carro de transmissão automática, mas mais do que um carro automático o grande momento é poder pilotar em Interlagos. Não importa se é no limite máximo da velocidade como nos fórmula um ou em um evento que transforma simples mortais em pilotos racionais. Mas ano que vem estarei presente pilotando um carro de transmissão manual para poder sentir ainda mais as curvas de Interlagos.