Escrito por Tânia Gnecchi Tanaka
Talvez exista, de certa forma, algum temor em relação a alguns pais quanto ao seu filho ter que iniciar um tratamento ortodôntico, tendo que usar um aparelho móvel ou fixo. Isto pode ocorrer realmente, pois a aceitação da criança, isto é, a maturidade para ela estar preparada a cooperar com o tratamento, é muito importante para ter o sucesso do mesmo. É pensando nisso que os pais devem estar atentos para o momento propício de iniciar um tratamento ortodôntico, mas qual é este momento?
Os pais devem levar seus filhos a um cirurgião dentista ou ortodontista com a finalidade de acompanhar a cada seis meses o crescimento e desenvolvimento tanto da arcada dentária quanto da face. A troca dos dentes decíduos (“de leite”) por permanentes é uma etapa importante que deve ser acompanhada, pois muitas vezes necessita efetuar um tratamento ortodôntico inteceptivo para eliminar problemas que possam se agravar futuramente, como por exemplo falta de espaço para os dentes permanentes nascerem, mordida cruzada, crianças que chupam o dedo ou chupeta promovendo uma mordida aberta anterior etc.
Problemas desse tipo são resolvidos mais precocemente em uma primeira etapa de tratamento ortodôntico e acompanhado periodicamente (a cada seis meses) pelo ortodontista até o término de crescimento para verificar a presença de alguma anormalidade. Isso porque outro problema pode ocorrer com seu filho que não seja somente dentário, ou seja pode estar associado ou não ao crescimento desequilibrado dos ossos da face, os maxilares. Quando isso acontecer, o tratamento ortopédico funcional dos maxilares deverá ser instituído com a finalidade de procurar corrigi-lo para obter um engrenamento dos dentes correto e harmonia facial.
Os pais devem estar cientes que a puberdade ou adolescência nas meninas ocorre dois anos (em média) mais precoce que nos meninos, isto é, por volta dos 10 aos 13 anos de idade, enquanto nos meninos ocorre dos 12 aos 15 anos. É um período em que os hormônios estão a flor da pele e na qual temos grandes modificações corporais e faciais, com um pico de crescimento por um período médio de dois anos. Esse é momento é muito importante para o ortodontista, pois ocorrem melhores respostas frente ao tratamento com um aparelho ortopédico funcional, indicado a pacientes que tenham a mandíbula (osso inferior da boca) deficiente em seu crescimento.
Já para pacientes com deficiência da maxila (osso superior da boca) deve ser colocado um aparelho ortopédico com uma idade mais precoce, por volta dos nove anos de idade a fim de ter um resultado mais favorável. O tempo de tratamento dependerá da cooperação do paciente, porém por muitas vezes obtido a correção do problema é necessário utilizar o aparelho ortopédico (móvel) no período noturno, caso o crescimento craniofacial ainda não tenha terminado.
Pode ser necessário ainda outra etapa do tratamento, indicada nos casos em que tenha posições incorretas dos dentes, que será o aparelho fixo. Esta fase requer cuidados como ter uma boa escovação e não comer certos tipos de alimentos duros ou pegajosos que possam danificar o aparelho e consequentemente aumentar o tempo de tratamento.
O tratamento ortodôntico deve ser visto como uma necessidade para a cura de uma doença e não um modismo, como muitas vezes os jovens o vêem.
Tânia Gnecchi Tanaka
Mestre e Especialista em Ortodontia - CROSP 35056
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