Escrito por Valdirene Bonatto

A dificuldade para a mulher lidar com a famosa jornada dupla, casa/trabalho, é coisa do passado para a advogada e empresária Valdirene Bonatto. Sócia de um escritório de advocacia, responsável pelos departamentos Financeiro e Jurídico da Bonatto e da loja da empresa em Santo André, além de ser professora universitária de Direito Civil, tudo isso sim faz parte de seu dia a dia. Filha do fundador da indústria de móveis, Natalino Bonatto, ela frequenta a área onde a fábrica está localizada, ao lado da SP-31, em Ribeirão Pires, desde quando o local era apenas uma chácara voltada para as férias da família. Na década de 70, toda a administração e produção de móveis foram deslocadas de São Caetano, onde a empresa começou há 48 anos, para Ribeirão Pires. E Valdirene voltou, alguns anos depois, a passar suas férias naquele local, desta vez para ter seus primeiros contatos, como recepcionista, com a empresa que hoje administra junto com seu pai e seus três irmãos.
Como em toda empresa familiar, a dificuldade primeira é não levar os problemas da administração e negócios para as horas de lazer e convívio entre familiares-empresários. “É preciso sempre ponderar o que é assunto de família e o que é da empresa para discuti-los no local apropriado”, aconselha Valdirene. Se esse ponto é uma desvantagem clássica, apontada por todos que dirigem empreendimentos familiares, a empresária de Ribeirão ressalta que há uma grande vantagem nesse tipo de negócio: o comprometimento de quem a dirige, que contagia também os funcionários e demais pessoas que se relacionam com a empresa. “Nós consideramos a fábrica uma extensão de nossa família e isso chega também aos nossos hoje 120 funcionários.”
Segundo Valdirene, a variedade de atividades que ela exerce também foi uma forma de espantar um fantasma comum em quem assume postos de comando em uma empresa familiar. “Nós não temos muito isso aqui, mas sempre ocorre alguma vez questionamentos do tipo `será que eu cheguei até aqui só porque eu sou filha do dono da empresa?`” Assim que se formou em Direito, ela tentou traçar um outro rumo, trabalhar em outras atividades, porém acabou voltando e trazendo essas novas experiências para a empresa da família. Valdirene também acrescenta: “Na verdade, o que acontece é justamente o contrário. Quando se é filha ou filho do dono, a cobrança acaba sendo muito maior, o comprometimento e a responsabilidade também.” E isso está na postura do pai de Valdirene, que recai como cobrança para ela e seus irmãos: “Meu pai raramente tira férias, é comum vê-lo aqui nos sábados e vem até no domingo, quando praticamente não tem ninguém na fábrica. A dedicação dele é muito grande e nós temos de seguir.”
Quanto a expandir o negócio da família sediado em Ribeirão Pires, Valdirene é cautelosa. “Não pensamos em aumentar nossa linha de produtos. A última expansão foi a linha Baby. Mas também não está nos planos sair da cidade. Não saímos nem quando outras empresas, devido à falta de incentivo por parte da administração municipal, foram para outras cidades. Agora, essa questão está melhor.” Valdirene acredita que o desenvolvimento econômico de Ribeirão está mesmo na dependência da evolução turística da cidade. “As empresas, como a nossa, só conseguiram se instalar aqui antes da atual legislação ambiental. Hoje, seria muito difícil. Por isso, acho que o futuro da cidade está na área de turismo, que tem grande potencial em Ribeirão para receber investimentos.”